
Fazendo o adequado tratamento antirretroviral e tomando outros cuidados de saúde,
os portadores de HIV podem ter uma expectativa de vida igual às pessoas que não têm o vírus da Aids, demonstraram dois estudos apresentados recentemente na
17ª Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada em São Francisco, (EUA) em fevereiro deste ano.
Conforme a cobertura oficial da Conferência, pesquisadores holandeses fizeram a monitoria de mais de 400 pessoas recém diagnosticadas com HIV, entre 1998 e 2008. Para cada grupo de 150 doentes, foi observada apenas uma morte por ano e, utilizando este dado, os investigadores fizeram uma relação com a expectativa de vida mundial.
Uma pessoa diagnosticada com HIV aos 25 anos, por exemplo, pode esperar viver mais 52 anos, ou seja, viver até os 77 anos, numa expectativa de vida quase idêntica à média de vida de uma pessoa sem HIV na população geral holandesa.
Numa outra pesquisa, investigadores europeus acompanharam a taxa de mortalidade em mais de 80.000 portadores do HIV. Entre os homens que tinham uma contagem de
células CD4 acima de 500 cópias/mm3 de sangue e que não usavam drogas injetáveis,
a taxa de mortalidade foi idêntica aos seus pares soronegativos. Entre as mulheres com HIV foi observada uma taxa de mortalidade um pouco mais elevada; contudo, os investigadores pensam que este fato deve estar relacionado a fatores sociais, econômicos e comportamentais.
Segundo
Denise Lotufo Estevam, infectologista do Centro de Referência e Treinamento em DST e Aids de São Paulo (CRT-DST/Aids), que participou da Conferência, o evento destacou muito a alteração das causas de óbito entre portadores de HIV/Aids, que hoje morrem mais de doenças cardiovasculares, por exemplo, do quem em decorrência de falências do sistema imunológico.
“Ainda não podemos garantir que a expectativa de vida (de uma pessoa com e sem HIV) é igual, pois precisamos de muitos outros estudos, mas sem dúvida a Aids é uma doença crônica”, comentou.
“Hoje as pessoas (vivendo com HIV) podem fazer planos para o futuro, cursar uma faculdade, ter uma carreira profissional”, exemplificou.
São mudanças que percebemos em nosso cotidiano e que, portanto, não são de grande novidade. No entanto, é importante que este fato tenha sido acompanhado e observado através de trabalhos científicos. É uma confirmação do que já se desconfiava.
Agora, o mais importante: não podemos esquecer que isso tudo é resultado do esforço das ONG/AIDS e do ativismo das pessoas vivendo com HIV/Aids, tanto em nosso país como no resto do mundo.
Não lutar pelos seus direitos é como morrer.
Lembre: Silêncio=Morte!A notícia deste post foi sugerida e encaminhada por Júnior.
O artigo original está no site da
Agência de Notícias da Aids, no endereço
http://www.agenciaaids.com.br/site/noticia.asp?id=14192