segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

H1N1 x HIV


Conforme trabalhos apresentados na 17ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas - realizada neste fevereiro em São Francisco, Califórnia, EUA - as pessoas portadoras do HIV em geral não apresentam mais complicações da gripe ‘suína’ (H1N1) do que as pessoas não-portadoras. No entanto, os estudos apresentados trazem resultados conflitantes sobre a capacidade da resposta imunológica da vacina contra o H1N1 entre portadores do HIV.
Apesar da epidemia do H1N1 continuar no mundo inteiro, não tem aumentado os casos de complicações severas, hospitalizações e mortes como os especialistas inicialmente temiam. De fato, segundo o CDC (órgão do controle epidemiológico dos EUA), a proporção de mortes resultantes de pneumonias ou da própria gripe ‘suína’ tem diminuído. Apesar dos poucos dados disponíveis para uma conclusão definitiva, o CDC ainda sugere, por precaução, que as pessoas soropositivas para o HIV têm risco aumentado frente a complicações derivadas da gripe pelo H1N1.

Três estudos apresentados na Conferência, no entanto, sugerem que a gripe ‘suína’ tem a mesma apresentação clínica tanto em não-portadores quanto em portadores do HIV. O risco de complicações e morte decorrentes da gripe seria um pouco maior do que a média em pessoas com imunodeficiência avançada e com baixa adesão ao tratamento contra o HIV. Entre soropositivos com contagem de CD4 superior a 300 os sintomas seriam bastante moderados.
Segundo um estudo mexicano, a infecção pelo H1N1 foi pouco frequente entre portadores do HIV sob acompanhamento clínico e representou uma pequena fração dos casos na população em geral. Da mesma forma, um estudo espanhol concluiu que a infecção pelo HIV não torna a gripe pelo H1N1 mais grave. Este estudo concluiu também que a gripe pelo H1N1 não teve maior efeito sobre a progressão da infecção pelo HIV: as contagens de CD4 e de carga viral destes pacientes soropositivos permaneceram sem alterações nas 4 a 6 semanas após a gripe. Na verdade, no período estudado pelos espanhóis (entre Abril e Dezembro de 2009), os casos de pneumonia e de sofrimento respiratório foram menos comuns entre os portadores do HIV.
Em outro estudo, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) avaliaram o efeito da vacina contra o H1N1 entre 120 portadores do HIV. Todos, exceto um, faziam uso de antirretrovirais (‘coquetel’). As melhores respostas imunológicas à vacina foram encontradas entre os portadores com maiores contagens de CD4 e com idades menos avançadas (abaixo dos 50 anos) - mas os idosos também apresentam resposta menos potente entre a população em geral, ou seja, entre os não-portadores.

O original, em inglês, pode ser encontrado em http://www.aidsmeds.com/articles/hiv_h1n1_flu_2446_18026.shtml

Com a chegada dos meses de frio, alguns cuidados básicos podem ser importantes:
- em caso de febre repentina superior a 39º C acompanhada de tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, diarréia, sensação de fraqueza e fadiga, e dificuldade respiratória, procure assistência médica;
- lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar;
- evite tocar olhos, nariz ou boca com as mãos não lavadas;
- evite locais mal arejados e com aglomeração de pessoas;
- não use medicamentos sem orientação médica.

De qualquer modo, a vacinação contra o H1N1 é recomendada para todos os portadores do HIV, mesmo que haja dúvida quanto à efetividade em gerar uma resposta adequada na produção de anticorpos, em comparação com não-portadores.
Fique atento para o calendário de vacinação de 2010 que começa em 8 de março atingindo diferentes grupos em diferentes períodos:

As pessoas em tratamento para Aids (pessoas com problemas crônicos – exceto idosos, que serão chamados depois) serão vacinadas de 22 de março a 2 de abril.
Adultos jovens de 20 a 29 anos (portadores de HIV ou não) serão vacinados de 5 a 23 de abril.
Adultos com 60 anos ou mais serão vacinados na campanha contra a gripe comum, de 24 de abril a 7 de maio: se estiverem em tratamento para Aids, receberão também a vacina contra o H1N1.

Vacina é proteção. Fale com seu médico sobre isso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A infecção pelo HIV

Receber um resultado ‘positivo’ ou ‘reagente’ após um teste anti-HIV é, em geral, um evento que gera muita ansiedade e desperta temores. Em parte, estes sentimentos têm fundamento mas, ao mesmo tempo, não têm fundamento nenhum.

Acontece que no início da epidemia da AIDS, - nos anos 80 do século passado -, por conta da ignorância e do preconceito foram originados alguns mitos que ainda hoje nos acompanham.

Entre várias inverdades, desponta aquela que dizia que AIDS=MORTE. Por certo, naquele tempo, a ausência de tratamento adequado deixava as pessoas mais vulneráveis. Mas também é certo que, assim como as pessoas com AIDS morriam, as que não tinham AIDS morriam também. A AIDS não inventou a morte.

Outra afirmação errônea e equivocada que ainda hoje perdura é a de que HIV=AIDS. Ou seja, algumas pessoas ainda acham que ser ‘portador do HIV’ é o mesmo que ‘ter AIDS’ e que a morte é iminente ou em muito breve. Grande engano (pelo menos no que diz respeito ao resultado do teste...).

Então, uma das melhores maneiras de superar este sofrimento desnecessário é substituir estas fantasias por informações corretas.

Neste sentido, estamos publicando dois pequenos vídeos que tratam da ação do HIV no organismo humano, como acontece a imunodeficiência e como agem os medicamentos para manter a competência imunológica, ou seja, como eles ajudam a manter o portador do HIV sadio.

Para esclarecimentos adicionais, o SOMOS oferece diariamente serviços gratuitos de aconselhamento em HIV/AIDS, em sua sede ou por e-mail (somos@somos.org.br).







segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Novo produto age como ‘antibiótico’ contra vários vírus, inclusive o HIV: é a cura?


Diferente dos antibióticos, que destroem diferentes tipos de bactérias, os medicamentos antivirais geralmente atuam sobre vírus específicos. Um medicamento que ataque uma grande variedade de vírus – de fato, uma espécie de antibiótico contra vírus – seria um benefício significativo para a medicina.
Pois um grupo de pesquisadores, liderados por cientistas da Universidade da Califórnia, Los Angeles/EUA, parece ter descoberto exatamente isso, através de um produto químico que eles chamam de LJ001. Tal produto atacaria diretamente as estruturas virais, destruindo seu ‘envelope’ ou cápsula lipídica, podendo representar a cura de uma ampla faixa de doenças incluindo desde uma gripe comum até a AIDS e Ebola.
Os antivirais disponíveis hoje intervêm no processo de replicação viral, enquanto o novo LJ001 ataca diretamente a estrutura viral, apontando para uma nova era terapêutica.
Enquanto o mecanismo exato de inativação da membrana viral ainda é desconhecido, os pesquisadores estão buscando alternativas promissoras para superar este problema. O relato dos pesquisadores informa ainda que o novo produto não produz efeitos tóxicos, conforme os experimentos in vitro e em animais, quando usado em concentrações adequadas e efetivas.
Essa notícia é particularmente importante para quem enfrenta falência terapêutica por resistência viral e necessitam incluir novas drogas capazes de impedir o ciclo de replicação do HIV. Ou, quem sabe, no futuro venha a ser a droga de escolha inicial para tratamento de quem está infectado pelo HIV, levando à cura.

A notícia original, em inglês, pode ser acessada nos endereços:
http://www.popsci.com/science/article/2010-02/lj001-acts-antibiotics-viruses
http://www.eurekalert.org/pub_releases/2010-02/uoc--rf020110.php
http://www.pnas.org/content/early/2010/01/27/0909587107.

Este post foi sugerido por Gil.

Colírio motivador - Matt Kinney


Importante avanço sobre os Inibidores da Integrase




Cientistas ingleses e estadunidenses (do Imperial College de Londres e da Universidade de Harvard/EUA) parecem ter resolvido um enigma crucial sobre o vírus da AIDS depois de 20 anos de pesquisa e suas descobertas podem melhorar os tratamentos contra o HIV.
Os pesquisadores criaram um cristal que lhes permitiu ver a estrutura tridimensional da enzima integrase, utilizada pelo HIV para ‘colar’ uma cópia da sua informação genética no DNA da célula infectada (veja a seta vermelha na figura acima) e assim produzir a sua replicação no organismo infectado, aumentando a carga viral e causando danos ao sistema imunológico. Com mais de 40 mil testes realizados, os cientistas foram capazes de ver pela primeira vez como atuam os medicamentos que fazem o bloqueio da integrase.
Segundo os pesquisadores, identificar a estrutura da integrase possibilita compreender melhor como agem os medicamentos inibidores da enzima – por exemplo, o Raltegravir -, como podem ser melhorados e como evitar que o HIV desenvolva resistência a eles.

A notícia original, em português, pode ser acessada no endereço:
http://www.agenciaaids.com.br/site/noticia.asp?id=13996

Este post foi sugerido por Gil.