
Conforme trabalhos apresentados na 17ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas - realizada neste fevereiro em São Francisco, Califórnia, EUA - as pessoas portadoras do HIV em geral não apresentam mais complicações da gripe ‘suína’ (H1N1) do que as pessoas não-portadoras. No entanto, os estudos apresentados trazem resultados conflitantes sobre a capacidade da resposta imunológica da vacina contra o H1N1 entre portadores do HIV.
Apesar da epidemia do H1N1 continuar no mundo inteiro, não tem aumentado os casos de complicações severas, hospitalizações e mortes como os especialistas inicialmente temiam. De fato, segundo o CDC (órgão do controle epidemiológico dos EUA), a proporção de mortes resultantes de pneumonias ou da própria gripe ‘suína’ tem diminuído. Apesar dos poucos dados disponíveis para uma conclusão definitiva, o CDC ainda sugere, por precaução, que as pessoas soropositivas para o HIV têm risco aumentado frente a complicações derivadas da gripe pelo H1N1.
Três estudos apresentados na Conferência, no entanto, sugerem que a gripe ‘suína’ tem a mesma apresentação clínica tanto em não-portadores quanto em portadores do HIV. O risco de complicações e morte decorrentes da gripe seria um pouco maior do que a média em pessoas com imunodeficiência avançada e com baixa adesão ao tratamento contra o HIV. Entre soropositivos com contagem de CD4 superior a 300 os sintomas seriam bastante moderados.
Segundo um estudo mexicano, a infecção pelo H1N1 foi pouco frequente entre portadores do HIV sob acompanhamento clínico e representou uma pequena fração dos casos na população em geral. Da mesma forma, um estudo espanhol concluiu que a infecção pelo HIV não torna a gripe pelo H1N1 mais grave. Este estudo concluiu também que a gripe pelo H1N1 não teve maior efeito sobre a progressão da infecção pelo HIV: as contagens de CD4 e de carga viral destes pacientes soropositivos permaneceram sem alterações nas 4 a 6 semanas após a gripe. Na verdade, no período estudado pelos espanhóis (entre Abril e Dezembro de 2009), os casos de pneumonia e de sofrimento respiratório foram menos comuns entre os portadores do HIV.
Em outro estudo, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) avaliaram o efeito da vacina contra o H1N1 entre 120 portadores do HIV. Todos, exceto um, faziam uso de antirretrovirais (‘coquetel’). As melhores respostas imunológicas à vacina foram encontradas entre os portadores com maiores contagens de CD4 e com idades menos avançadas (abaixo dos 50 anos) - mas os idosos também apresentam resposta menos potente entre a população em geral, ou seja, entre os não-portadores.
O original, em inglês, pode ser encontrado em http://www.aidsmeds.com/articles/hiv_h1n1_flu_2446_18026.shtml
Com a chegada dos meses de frio, alguns cuidados básicos podem ser importantes:
- em caso de febre repentina superior a 39º C acompanhada de tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, diarréia, sensação de fraqueza e fadiga, e dificuldade respiratória, procure assistência médica;
- lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar;
- evite tocar olhos, nariz ou boca com as mãos não lavadas;
- evite locais mal arejados e com aglomeração de pessoas;
- não use medicamentos sem orientação médica.
De qualquer modo, a vacinação contra o H1N1 é recomendada para todos os portadores do HIV, mesmo que haja dúvida quanto à efetividade em gerar uma resposta adequada na produção de anticorpos, em comparação com não-portadores.
Fique atento para o calendário de vacinação de 2010 que começa em 8 de março atingindo diferentes grupos em diferentes períodos:
As pessoas em tratamento para Aids (pessoas com problemas crônicos – exceto idosos, que serão chamados depois) serão vacinadas de 22 de março a 2 de abril.
Adultos jovens de 20 a 29 anos (portadores de HIV ou não) serão vacinados de 5 a 23 de abril.
Adultos com 60 anos ou mais serão vacinados na campanha contra a gripe comum, de 24 de abril a 7 de maio: se estiverem em tratamento para Aids, receberão também a vacina contra o H1N1.
Vacina é proteção. Fale com seu médico sobre isso.



