quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Preconceito tem cura?


Prá quem domina o inglês, eu recomendo a página da POZ Magazine no sítio http://www.poz.com/. Mais do que isso, eu gosto muito da inteligência da Regan Hofmann, editora-chefe da POZ e portadora do HIV, que mantém um blog pessoal no endereço http://blogs.poz.com/regan/.
Ela postou um vídeo produzido pela Cruz Vermelha inglesa para o Dia Mundial da AIDS que alerta prá loucura que é o fato de 85% das pessoas envolvidas numa pesquisa demonstrarem saber que não se pega o HIV através do beijo (na boca, claro). No entanto, 69% destas mesmas pessoas disseram que não gostariam de beijar uma pessoa portadora do HIV mesmo sabendo que não pega!
O vídeo é hilário, vale a pena ver. E mostra com toda a clareza o quanto o conhecimento é insuficiente prá superar o preconceito. Bueno, eu poderia ter postado o clip, mas achei mais interessante aguçar a curiosidade e indicar o caminho.
Parece que preconceito não tem cura, mesmo. (E olha que a tal pesquisa – que gerou o vídeo – foi feita no chamado ‘Primeiro Mundo’...).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Técnica de edição de DNA é esperança no combate à Aids


Pesquisadores estão investigando uma técnica de manipulação genética para fazer com que células se tornem imunes ao HIV. A nova técnica utiliza agentes naturais chamados dedo de zinco (zinc fingers) e é capaz de fazer alterações precisas no DNA e/ou inserir novos genes em um local determinado do código genético.

Os dedos de zinco são componentes essenciais de proteínas usadas pelas células vivas para ligar e desligar os genes. Como os dedos reconhecem sequências específicas de DNA, eles guiam as proteínas de controle ao lugar exato onde começa o gene alvo.


O nome dedos de zinco é derivado da configuração de um átomo de zinco que prende dois arcos de proteína em forma de dedos. Cada dedo de zinco natural reconhece um grupo de três bases nitrogenadas (adenina – A, guanina – G, citosina – C e timina – T) presentes na molécula de DNA. Unindo três ou quatro dedos, os pesquisadores podem gerar proteínas artificiais associadas a um lugar específico no código genético da célula tratada. Os dedos de zinco funcionam como um sistema de processamento para cortar e colar texto genético (DNA). Grupos de dedos de zinco são anexados a uma proteína que corta o DNA entre dois locais estabelecidos pelos dedos. A célula rapidamente concerta o corte. Se o DNA para um novo gene for inserido em uma célula ao mesmo tempo em que os dedos de zinco cortam o DNA o novo gene será incorporado pelo sistema de reparo da célula no local da quebra.


Os dedos de zinco vêm sendo estudados como tratamento para o HIV há muitos anos, desde meados dos anos 90 do século passado. No entanto, apenas recentemente, após muitos estudos em modelos animais (ratos), os resultados revelam-se promissores. Os dedos provocam mutações no gene responsável pela expressão da molécula CCR5 – um dos dois co-receptores de superfície dos linfócitos CD4 -, desta forma reduzindo a capacidade do HIV de infectar as células alvo e, portanto, de se multiplicar. De modo similar ao maraviroc (um antirretroviral que bloqueia a CCR5 usando outro mecanismo) os dedos de zinco devem beneficiar aquelas pessoas infectadas cujo HIV apresenta tropismo para CCR5 ou CCR5/CXCR4 (ou seja, não beneficiará as pessoas que têm HIV CXCR4-trópico, pelo menos neste momento dos estudos).

Já está sendo planejado um estudo clínico em humanos através do qual linfócitos CD4 de pessoas com HIV terão seus genes relacionados ao CCR5 alterados através do uso das proteínas dos dedos de zinco. Estas CD4 modificadas serão reintroduzidas no organismo dos pacientes para restabelecer seu sistema imunológico e reduzir sua carga viral.


Notícia indicada por Gil.

Leia a matéria na íntegra em www.agenciaaids.com.br